segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Obrigada...

Tentativas frustradas tenho feito, de escrever algo que... me alivie a alma como antes, mas... não saem.
Blog que criei com tanto carinho, alimentei enquanto tive jeito para isso, ou achei que tinha, mas hoje...as palavras não me dizem nada, não em jeito versado pelo menos.
Dou por terminado este canto, ou pelo menos um bom e merecido descanso...Quem sabe um dia não lhe darei vida de novo? Sonhos meus...tantas vezes afoguei mágoas, tantas vezes cantei alegrias, hoje... inércia pura, dormência crua.
A quem me leu, acompanhou, comentou, o meu sincero obrigada, presença que sempre acarinhei como pude.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


Escrevo... apago... escrevo... deito fora...
Perdi o toque! A vontade! A magia...
O que tinha de mais precioso e meu...
Perdi-o... O que me dava força morreu...

As palavras que me soltavam os sentimentos,
perderam-se nos meus mais negros momentos,
Já não me soam a nada... Nem a Cântico de Fada
ou cantilena de Bruxa que a maldade puxa...

Com a tristeza, amargura, esvai-se a minha cândura...
Mesmo em noites de mar revolto,
Onde afogo o meu maior desgosto,
Já nem as ondas me revelam o brilho das letras...
Até isso fui perdendo... A seu tempo...

É com mágoa que me desfaço em água...
A de não querer, conseguir ou sequer sentir
o que antes adorava... a minha escrita sagrada...
Solidão profunda... A de não as ler como antes...

Rimas sempre as fiz, coordenar as palavras também...
Mas sempre com alma! A que agora me falta!
Os gritos que elas abafaram e que nunca os dei,
As desilusões que nunca contei,
Os sonhos que com elas pintei,
Os pesadelos com quem elas assustei,
Os mundos que escondi e a elas dei...
Todas elas estão vazias... ôcas... perdidas... môcas...

"Once there was light in my life,
Now there's only love in the dark...
Nothing i can say...
A total eclipse of the dark..."

domingo, 25 de outubro de 2009

Metamorfose...


Abro os olhos e deparo-me com as diferenças...
As que marcam as minhas presenças...
Traços que outrora escondera, abafara
por medo da esfera não assentada...

Impulsividade, talvez a palavra que melhor me defina...
Volatilidade, algo com que se escreve a minha sina...
Sensibilidade, a que crava a minha cruz...
Inconstância, o terrivel guia que me produz...

De larva a borboleta? Ou de borboleta a larva?
Um acordar que negava ao fio da navalha...
Para mim um libertar... Aos outros um estranhar...
Um casulo que se abre... Uma nova pessoa que nasce...

Alma cravada e gravada em espinhos afiados,
Os que nunca dei a picar mas com os quais me feri,
Rosas que revelei em dias de calor, os que criei por amor,
Hoje esmagam-se em pegadas minhas... as que não pedi...

Mudança... A que se adivinha... Sinto-a aproximar...
Desejo-a, no meu ser se instala... Deixo-a se entranhar...
Como duna que se forma ao sabor do vento...
Como chuva que cai na bruma feita a meu tempo...

Metamorfose... A minha...
Quem serei eu um dia?
Não sei, mas apenas de uma coisa eu saberei...
Serei eu e mais ninguém...




quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Farta...
De falinhas mansas, plumas brancas,
De ver bolinhas de sabão coloridas,
Onde as cores garridas
Escondem as cóleras sentidas!

Farta...
Do lado bonzinho, apelativo....
O que o altruismo traz como boa fortuna...
Sede.... de o que o sangue pede,
A misericórdia que a vida não me cede,
A de cair na pura loucura!

Farta...
De complacências, de ternas existências....
De nada me tem servido!
Os valores que guardo, ultrapassados,
Na pele a ferro e fogo marcados,
Darão-me quando morrer o além prometido?

Farta....
De ser o ombro amigo, o olhar escondido,
Que se tira do armário quando é preciso!
Vontade... de ser o que devia!!!!
A raiva contida, a acidez merecida,
O que a natureza me fermenta a gosto e devia!!!!

Farta... do estado sóbrio da vida..
O que aos outros serve como conforto,
Mas que a mim não serve agora de consolo...
Farta... do meu lado calmo, complacente,
O que me adormece e torna dormente...

Farta... de sonhos!
Sôfrega.... de pesadelos!
Os por mim causados, em noites de flagelos...
Os por mim provocados, em teias de novelos...
O que vale é que as minhas palavras de nadam valem...
E que para sempre elas se calem...

sábado, 3 de outubro de 2009

Queda


Folha de Outono que cai...
Brisa que a pele alisa em jeito brando...
Como se entoasse um doce e venenoso canto...
O que na Natureza se produz, não retrai...


Ténue, frágil, quase sem se dar por isso
assim ela cai e se quebra o seu feitiço...
Sózinha, desprovida de espólios ou bagagens,
Assim vai observando as suas margens...


Olhos cerrados na sua viagem, vidrados
e cansados, parcos na sua coragem...
Vão soltando como que gotas de orvalho,
Fruto da sua luta, cansaço, infrutifero trabalho...


Uma entre tantas folhas de Outono, apenas vai caindo,
Abraçou o sol, sorriu perante um beijo dado por baixo de si,
Vibrou com veemência na luz que incidiu sobre si,
As cores foi perdendo e do seu útero foi saindo...


Queda vertiginosa, de todo saborosa,
mas necessária ao equilibrio...O que lhe é exigido...
Jaz no chão,pintada em tons de solidão...
Prostada num canto qualquer, o que ninguém quer...


Agradeçeu a dádiva, foi importante...
Mesmo que não se tenha dado como notada...
Fez parte do circulo, teve o seu tempo, viveu...
Folha de Outono que nasceu vibrante...
Pela vida cuidada, abraçada e assim permaneceu encantada...
Mas o seu tempo chegou, e como uma pluma desfaleceu...




domingo, 20 de setembro de 2009


Caminho... descalça...
Sinto os grãos de areia por baixo de mim....
Sem rumo... Perdida no mundo...
Caminho... Por estradas sem fim...

Tento apagar os rastos deixados,
escritos a sangue e lágrimas,na alma gravados,
Tento assim ser outra pessoa...
Talvez assim o mundo em mim menos doa...

Caminho... descalça... desprovida...
de alma, de pensamento, de sentimento...
Sorrio ao sol, abraço a lua, olho a estranha rua
que deixei para trás... Nela nada mais me apraz...

Caminho pensativa... Peso a minha vida...
O que dou... o que recebo... O que faço... O que mereço...
Sinto a brisa no rosto... Abraça-me o corpo...
Como se de cristal fosse... Leve... Belo... Doce...
Caminho... Sem saber bem por onde..
Apenas sei que tenho de o fazer...
O sopro que trago na vida não se esconde...
Algo o leva a prosseguir,mesmo sem o querer...

Tal como as letras que escrevo, sem rascunho...
Sem borrachas para emendar, com erros que elas tenham,
sem as querer apagar ou reparar,são o que sou...
Folhas ao vento... Vividas por um momento...

sábado, 5 de setembro de 2009

Estilhaços de mim...


Um parapeito que se revelou perfeito...
Um caminho que se perdeu do destino...
Uma rábula escondida na mais pura fábula...
Um mundo sem fundo...

Rostos que revelam semblantes carregados,
Corpos que se encontram de espinhos cravados,
Almas que pedem presentes sonhados...
Um mar sem ondas por agitar....

Ventos que levantam folhas,apagam as escolhas,
Uma pequena aresta na mais pura esfera....
Subtilezas afogadas pelas ferozes presas,
Um desespero por quem não espera...

Um copo meio cheio? Ou meio vazio?
Prefere-se sempre o lado sombrio...
O mais fácil? Ou o menos trabalhoso? O mais frágil?
Começo a sentir o frio...

Fraquejo a cada queda, nelas me revejo...
As forças abandonam-me e largam o sorriso...
As quimeras que outrora sonhei,delas nada ganhei...
Julguei-me Fénix,bela a renascer das cinzas...
Quantos pecados...Quantas cobardias...

A Soberba...Tinha a certeza...
Que o mundo iria ser meu...
Pecado esse que agora morreu...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sou vida...a tua...a minha...

Estás seguro? Tens a certeza?
Vamos sentir a força da Natureza...Pronto anjo?
Junta as tuas asas ás minhas,cubro-te no meu manto,
Não vou esquecer nenhum canto!
Queres ver como sou?O que sou?
Sou movimento, a destreza do vento,
A força do mar, o que nunca vai parar....
Sou pensamento, liberdade, o fundamento, a verdade,
O sabor da vida,a que dá a tantos alegria...

Serei eu isso tudo? Ou criatura do mundo?
Os dois! Ontem, hoje,agora e depois...
Serva do mundo,do escravo, da rosa e do cravo,
O que na carne se entranha...Sou quem foi e quem venha,
Sou tapete sem comando,ao mundo me dou e dele venho...


Sou o que sinto,nele me perco e dele me pinto,
de cores que só eu vejo,as de imortal!
Velozes na mente,quentes no presente,
Presa por convenções, tiranos ou patrões,
mas livre no pensar! E como é bom voar...

Sou letras que estrapolam o que outros enrolam,
Vontade, sorriso,o de que o mundo é feito,
Sou qualidade versus defeito,
Sou livre...em pensamento..em viagem...
No meu tapete sou a pura miragem,
Sou dança,sou mulher, sou criança,
Sou gota de água que se perde na tua mágoa....
As que guardo para mim e não partilho,
Sou anjinho sem direito ao seu caminho...

Sou névoa que se esconde trémula,
Carência num mundo de complacência,
Sou ar... Puro, invisivel,posso flutuar, imprevisivel,
Sou fruto do meu mundo....O que eu mesma cultivo,
Nele tudo brilha,tudo tem a sua conquista e partilha,
Aqui posso, neste posso, a fantasia é minha...
Mas vejo que nada tem valor....Que dor...
Mundo de fadas ou de tapetes voadores,
de grandes mestres e imperadores,
de nada servem sem mentores,
Num mundo mudo....Inócuo...Sem cores...

E nisto fico...A eles me confino...Me resigno...
Mais uma vez o meu tapete apenas voa em mim...
Mas quero morrer a ser assim...
Sonhadora de coisas grandes, importantes,
Hoje, num dia normal, onde se mostraram como ficaram,
como a existência os criou, a cruez ditou,
Hoje imagino-os como nunca foram antes...
Antes hoje que ainda as posso sentir
do que o dia que não sei o que vem a seguir....

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Asas velozes...


pego nas minhas asas e faço-me á estrada...
dou à chave e fiel responde...
tal condessa e conde unimo-nos e partimos...
sem sentimentos nem cruzamentos
levamos o sonho ao extremo...
sem paragens por cumprir ou sinais a obstruir,
o sangue leva o comandante...
o acelerador como propulsor, a gasolina a nitroglicerina
e o horizonte a nossa ponte...
a musica dá o mote para norte,
o travão perde a razão e o coração bate forte...
a adrenalina dita a sina, a consciência cede á minha demência
e a energia surge...o tempo urge...
a mesma que me faz ver a estrada como bela cruzada,
a mesma que me tira os limites impostos pela sociedade,
a mesma que me faz dobrar e ser cobarde...
agora não, hoje não, neste momento não!
as curvas assumem as duvidas, as lombas as minhas perdidas contas,
as impostas velocidades, as minhas mentiras camufladas em verdades...
asas que me obedecem no mundo dos que padecem,
penas e plumas que levantam as brumas, cores que me adivinham sabores,
vontades, desejos, verdades, anseios, os que acordada se perdem...
loucuras, delirios, prisões e destinos, esquecidos no pensamento...
Gata borralheira que sobe a carruagem e que não teme a viragem,
Branca de neve que nada teme nem treme,
nem maçã envenenada,nem bruxa malvada,
Espada de Excalibur como trunfo...
Asas que voam, almas que sonham, o céu como destino, a satisfação do tino,
as veias que se revoltam e enchem, as ideias que se juntam e se mexem,
a hora do sonho puro...a luz no escuro...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Um sorrir que deixa de existir...


Barulho...Gritos...Escuro...
Encolhida fica entre pedras e entulho...
Engolida por um negro mundo...
Mais uma vida que se perde num segundo...

Terror...Incompreensão... Dor...
Esmagada por maldades, falsas verdades,
Mentiras sujas,mórbidas vontades,
Entre a espada e a parede sem amor...
Revolta-se contra a existência sem calor....

Desespero...Ira...Flagelo...
Olhos frios e vidrados como gelo...
Cintos apertados,punhos cerrados,
Marcas que desfiam um novelo...

Lágrimas caídas pela face inocente....
Esperança que se mostra ausente...
Presa numa guerra de adultos,seres impuros!
Um coração que se estilhaça em vidro fosco...
Mais um espinho,mais um desgosto...

Criança que se aninha num cantinho...
Apenas pedia o que merecia... Um carinho...
Alma que se perde do seu caminho...
Inocência que chora baixinho...

Mais uma atrocidade cometida!
Mais uma vida vida perdida!
Mais uma história sem final feliz...
Mais uma prova da loucura humana...
Criatura nefasta,impura,insana...
Aque colhe uma vida, o imaculado profana...

Não se houve mais choro...Um silêncio...
Corpo prostado no chão...
Ensanguentado,queimado,inanimado...
Deixa de bater um frágil coração...
Não sente mais dor...
Perdeu o direito ao amor!
Foi-lhe ceifado o sopro sagrado...
Retirado o brilho e ar castiço vincado...
Não pode mais sorrir...deixou de existir!

Mais uma criança que já não suspira
por um amor que nunca lhe foi dado...
Mais uma criança que se encontra
dentro de um caixão fechado...

Vitima da violência de gente demente...
Uma entre muitas que ainda sofrem...
E que seu destinho não escolhem...

domingo, 19 de julho de 2009

Coração...deixa-me...


Coração...pára de bater...por favor...
Deixa-me cortar as veias que te
dão alimento...por favor...
Termina com este sofrimento....

Coração...por favor...deixa-me ir...
Não consigo mais sorrir...
Não me prendas mais a este mundo...
Deixa-te esvair no meu segundo...

Lágrimas,párem de correr...
Não vos suporto mais...
Afoguem-me no vosso sal...
Acabem já com este sofrer...
Sequem os vossos canais...
Não quero esta dor mortal...

Pesadelos,desapareçam...por favor...
Não vos aguento mais....não vos quero...
Já chega,é demais para mim...
Sou fraca,demasiado fraca...
Esta minha maneira de ser que não tolero
Há-de ser o meu fim...

Sonhos,já chega de ilusão...
O vosso sorriso é venenoso...
A vossa água limpida torna-se turva...
Não martirizem mais o coração....
Soltem-no, é por demais pensoso...
A tristeza perante vocês se curva...

Coração...merecias melhor sorte...
Tantas vezes bateste com força...
Tantas quantas as que te pedi,exigi...
Não tenho como te mostrar um Norte...
Não te queria condenar á forca...
Mas esta batalha sinto que perdi...

Coração,continua a bater...
Devagarinho...Baixinho...
Quem sabe um dia não se apaga o que te faz doer...
Não sei é qual o caminho....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hoje não...

Olhei em frente...pensei ser gente...
Senti-me dona do mundo...
Que presunção a minha...
Pensar que o meu ser era suficiente...
Que dando o meu simples segundo
o meu momento ou hora vinha...

Tantas vezes perdoei....
Vi o verso da medalha,mas que falha...
Julguei que os meus valores eram certos...
Tantos tombos levei...
Senti na pele o machado que retalha
a carne dos fracos e honestos...

Nada aprendi com as loucuras que cometi ....
A não ser o sabor das lágrimas
que foram caindo ao longo do tempo...
Quantas e quantas vezes sorri
depois de mágoas e lástimas,
E mesmo assim dei alento...

Sempre me levantei...mas hoje não...
Tantas vezes a mim mesma menti
e pensei que a minha historia iria chegar...
Pensei que teria no meu coração
a doçura que tanto dei e não tive quando pedi,
Que tola fui eu em acreditar....

Olhei em frente...Julguei ser gente...
Caí num chão sem fundo...
O soalho se abriu e engoliu-me...
Nunca mais tenho em mente
Que o meu grito mudo
Nunca de mim saiu,não era meu,fugiu-me...

segunda-feira, 15 de junho de 2009


Pegadas vão-se formando na terra
que piso a cada caminho que desbravo,
Brasas vão ficando na esfera
que viro sem olhar para o chão marcado...

Passos que vou dando à lua,
Livre de pesos ou medos,
Onde a roupa vai caindo deixando-me nua,
Solta de histórias e enredos...

Estrelas que vou perdendo de vista
mas que me acalentam a cada esquina,
Pedaços que vou colecionando
a cada sonho que comando,
Fragmentos de momentos,
Estilhacos de sentimentos...

Vou deixar a rua me levar
para onde existe o puro amar,
Vou permitir que o teu sorrir
me faça crescer e evoluir...

Se me perder na vida não importa,
Se me afogar no teu olhar não vou chorar,
Não quero saber do amanhã ou da hora,
Apenas que quero ser eu, a poder te amar...

Tantas vezes peco pelo excesso,
Tantas vezes perco pelo exagero...
Tantas vezes erro pelo insucesso,
Tantas vezes me queimo pelo desespero...

Vou deixar a rua me levar,
Para onde ela achar ou ser correcto,
Seja para terra firme ou alto mar,
Desde que seja o teu porto concreto....

Pegadas...as que deixo na areia...
Como se pudesse ser a tua sereia...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Palhaço...


Um Palhaço...
Que sorri, proporciona alegrias,
Faz os meninos pqueninos sonhar
com os seus balões e magias,
Mas que por dentro se encontra a chorar...

Um palhaço...
Que se levanta da cama
na esperança de apagar a lembrança
e viver pelo circo que o viu crescer...
Que se pinta de cores alegres,
Sapatos grandes e brilhantes vestes,
Tentando assim a lágrima esconder...

Um palhaço....
Que muito dá e pouco pede,
Que se aninha no sorriso da criança
Que surge e livremente cresce...
Que à noite por fim tira a máscara,
Depara-se com a solidão que o devasta,
e chora....Como chora...Baixinho,
Num simples cantinho...

Um palhaço...
Que mesmo depois de tantas lutas,
Ainda continua a acreditar....
Que a vida algo tem para lhe dar...
Que mesmo depois de tantas labutas,
Ainda teima em sonhar...
Que a vida uma mão lhe vai estender....
Como ele a quer receber...

Um palhaço...
Perdido no seu desespero,
Que esconde a mágoa por medo,
Perito na arte do disfarçe..
Aprendeu a ser assim,arlequim,
O que sorri,brinca e faz magia,
O que imita e ludibria,
O que esconde a sua verdade....

A de palhaço triste,a que tudo assiste,
A de palhaço que sofre na sua morte,
A de palhaço que finge,de cores a vida tinge
quando elas teimam em desvaneçer...
Palhaço que sorri no seu sofrer...

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Tristeza, de ti tirei mestrado...
Angustia, tratei-te por tu em tantas alturas...
Lágrimas, fieis amigas e companheiras,
Acompanharam-me em tantos cantos,tantas beiras,
Que de mim já me perdi...

Solidão,a minha sombra do passado...
Inércia, abafaste-me tantas loucuras...
Demência, criadora de imensas rasteiras,
Criaste-me ilusões de tantos feitios e maneiras...
Que de mim já me perdi...

Num abismo me deparei
Dei um passo em frente e espreitei...
Se seria a queda a saída
Para uma vida mais que sofrida...

Alguém me soprou ao ouvido palavras
que eu lhes tinha perdido o sentido,
Alguém abriu as majestosas asas
e aninhou-me no seu paraíso....

Um anjo que me mostrou que a vida mudou,
Um anjo que me deu o que agora nasceu,
Uma réstia de esperança...
Um rastilho de uma boa lembrança...
De que a vida é preciosa,
Tem espinhos sim mas cheiro de rosa,
Efémera mas presente,
E um anjo não mente...

De mim me tinha perdido,
De mim me tinha afastado,
Anjo puro e dourado
Deste-me de volta o sorriso roubado...

sábado, 30 de maio de 2009

Anjo caído...


Tristeza.... a que se instala
Riqueza... a que me falta
Impotência... a que se mostra nefasta
Solidão... a que me devasta
Trovoada... perdi a minha espada...
Extase... da noite malfadada
Zumbido... o que não faz sentido
Antevisão... de um futuro perdido...


Desilusão... a que se revela
Odôr... de uma flôr outrora bela
Raiva... a que sobre mim paira...


Lágrima... a que cai agora...
Angustia... a que serve a hora
Grito... o que estava escondido
Remorso... o de algo perdido...
Incrédula...uma voz trémula
Morta... a esperança torta
Ardor... de olhos que perderam a cor...


Romaria... de uma esquina colorida
Avaria... de uma sintonia
Investimento... perdido num momento...
Vaidade... presa numa trindade
Alegria... a sempre oferecida...


Tristeza por me faltarem as palavras,
Dor pelas perdidas cartas,
Lagrima que cai em chão morto...
Raiva que estrangula o pescoço...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Se...


Se o pensamento falasse..
Não haveriam palavras que encontrasse
Ou rábulas que contasse,
Que desvendassem tantos segredos
Ou que mostrassem tanta verdade...

Se a noite revelasse
O amor que nela nasce...
Nem a lua ou as estrelas mais brilhantes
Teriam tantos sorrisos constantes
Como que os que nela se formam...
dos que dela conta tomam...

Se o coração permitisse
O que o desejo pede...
Pegaria em cada lembrança,
Cada pedacinho de esperança,
E deixaria a flor que se apresenta
Crescer na sua cor magenta...


Se o sonho fosse real....
Ganharia as suas formas de novelo,
Desenharia as suas curvas de cristal,
Chamas nasceriam em cada fio de cabelo,
O que o torna tão macio,tão especial...

Se a doçura reinasse...
Faria perdurar cada sonho,
Destruiria qualquer pesadelo,
Deixaria que tudo ganhasse formas e cores,
Texturas suaves,laivos agridoces,
Loucura em pedra mármore...
Pincelada com vontade...
A ferro gravada na carne...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Forças da Natureza


Sou areia...
Ando de chão em chão,
Corro agrestes terrenos,
Brinco em campos amenos,
À procura do meu grão...

Sou chuva...
Tenho a força da bruma,
Pinçelo o céu,perco-me na rua,
Sou quem lava instância suja...

Sou mar...
A mim os corpos se vêem mostrar,
Sou revolta como a impureza,
Tritão guarda a minha fortaleza,
Sou quem muitos faz sonhar...

Sou lua..
Para mim olham os apaixonados,
Comigo choram os abandonados,
Na minha utopia se gera a magia,
Em mim se inspiram os afortunados...

Sou ar...
Rodopio aqui,danço ali,
Levanto tempestades,desvendo verdades,
Sou brisa que hipnotiza,
Sou calamidade,parca em maldade...

Sou natureza...
Reuno os fortes elementos,
Sou que crio os momentos,
Sou eu que revelo a nobreza...

Sou vida...
Sou quem sorri,quem sofre por ti,
Sou eu...Eu e apenas eu...

quinta-feira, 7 de maio de 2009


hoje deixaste-me sorrir...

francamente,livremente,ninguém me fez frente,

sem razão ou motivo aparente...

ontem fizeste-me chorar...

sem tréguas ou clemência,

perdi-me do meu rumo,afoguei-me,

iludi-me e encontrei-me

no teu tunel inóspito e despido de complacência...

e amanhã, o que me reservas?

as tuas partidas, quais me pregas?

conheçi o teu sabor a sal,

pincelaste-me com a tua doçura,

tiraste-me o chão, deixaste-me sem coração...

deste-me a provar a loucura,

permitiste que sonhasse, metas traçasse,

lágrimas e sorrisos formasse,

vivesse na mais pura inércia...

a ti devo cada momento vivido,

a ti devo cada pensamento perdido,

a ti devo o gosto do prazer, o do doer,

o conhecçer, o amar e o sofrer,

as desilusões e as tuas amarguras,

as tuas imperfeiçoes em vazias linhas cruas,

os beijos, os desejos, medos e receios,

as raivas, as cóleras, os desgostos,

os teus mares em vários portos,

o prazer de te sentir, de ser...

a ti agradeço tudo isso, não sei se o mereço,

a ti aplaudo e guardo seres minha...

vida...

deixa-me sentir-te horas após hora,

minuto atrás de minuto,

aproveitar tudo o que me dás e trazes,

sejam meias mentiras ou falsas verdades,

mas são o que me dão a conheçer

a beleza do teu simples viver...

és minha vida, apenas minha...


domingo, 3 de maio de 2009


vem devagarinho,
descobre o meu cantinho,
leva-me por uma noite....
mia para mim baixinho,
dá-me a provar o teu carinho,
leva-me esta noite...


faz luz no meu escuro,
salta para lá do muro,
leva-me por uma noite...
dá-me a tua lua e serei tua,
caminha pela minha rua,
esta que se mostra nua,
leva-me esta noite...


olha para mim,
toca-me como se fosse cetim,
leva-me por uma noite...
dá-me o teu olhar de marfim,
só ele me deixa assim,
leva-me esta noite....


vem meu gato preto
e revelo-te o meu segredo,
leva-me por uma noite...
com a magia de um brinquedo,
desfio o meu ser,o meu novelo,
leva-me esta noite...


dá-me as tuas sete vidas,
partilha comigo as tuas alegrias,
leva-me por uma noite...
encanta-me com as tuas magias,
mostra-me as tuas cores garridas,
leva-me esta noite...

dá-me as tuas tristezas,
levarei-as para outras naturezas,
levo-as por uma noite...
faz-me querer as tuas quimeras,
cumprirei as minhas promessas,
levo-as esta noite...

terça-feira, 28 de abril de 2009



vou fechar os olhos e viajar, sem sair do lugar...
vou pegar no meu Unicórnio
e voar sem destino, voar para longe, muito longe...
eu e ele, os dois a caminho do horizonte...
não vamos deixar rasto, apagaremos as marcas
escritas nas linhas sagradas...
sei que não me vai deixar cair,
sei que nas suas asas posso ser apenas eu, e ir...
sei que me vai fazer bem...vou poder sorrir...
vou-lhe segredar ao ouvido, vou-lhe mostrar
o espinho que trago no peito cravado,
vou-lhe confiar a minha fantasia,
ao meu ser alado...ao meu segredo lacrado....
irei passear pelas nuvens e tocar o vento,
deixar que me leve no pensamento...sem sair do lugar,
sem perder a alegria de na "vida" poder tocar...
confidenciou-me que sentirei a espuma do mar
com a minha mão...não será mais uma ilusão
como tantas outras,como as histórias ocas
que a vida me conta,as que me iludem o coração...
vou pegar no meu unicórnio e fugir,
sem culpas por não ficar, sem receios de partir,
vai-me tirar este doer,este triste sofrer,
dar os tons dourados que me conferem o brilho,
devolver o meu amado sorriso
preso na minha caixinha de Pandora,
na qual me encontro presa agora...
Unicórnio,leva-me daqui....mostra-me as artes
e mestrias que tens meu arlequim...
deixa-me acreditar em ti....
faz luz na minha escuridão...
limpa-me o coração....

terça-feira, 21 de abril de 2009


uma gota de chuva caía...
um sorriso nascia, próprio de criança,
que divertida à chuva dançava,
nada mais importava ou o momento estragava,
perdida na sua meninice, na sua lembrança...
tirava sapatos e meias para chapinhar
enquanto ouvia a chuva que molhava a sua rua...
mais uma gotinha que do céu descia...
recordava-se dos tempos em que fugia
para contemplar pura e terna magia,
onde guardava segredos em forma de história
que retirava da sua memória
e oferecia à sua utopia...
erguia a cabeça para poder sentir
aquelas gotinhas de chuva a fluir,
enchia o coração de musicas ouvidas
com o cair das pérolas perdidas,
cantava sem voz na garganta,
ria sem perder a esperança,
agradecia cada pedacinho de vida,
era ela e a chuva, que sintonia...
menina que ao seu deleite se entregava,
mais pura que a propria àgua,
descalça e encharcada,
menina que virara mulher...
a mesma que ainda num beco ou esquina qualquer
ainda contidamente se inebria,
que apesar da idade ainda à chuva dança...
ainda é a menina perdida entre
o chão molhado,refrão decorado e coração apertado,
que apesar de crescida não perdera
a magia ou o seu encanto,
deixando-se envolver pelo sublime manto,
o da chuva que cai em cada canto...
lembra os tempos ingénuos...
perdidos porém eternos...

quinta-feira, 16 de abril de 2009


fragmentos....

pensamentos que se vão revelando

sentimentos que se vão amontoando

no baú do meu ser crú...

pedaços...

de uma existência entre a escolha

do lado para onde me debruçar...

de uma carência própria de

uma história ainda por terminar...

espinhos na minha rosa de prata

encobertos por um sorriso que mata,

ditaduras diluidas em poções,

amarguras disfarçadas em corações,

duvidas criadas entre tantas divisões,

um mar de lágrimas para me afogar...

tristezas...

tantas quantas as minhas nobrezas...

mais duras que as minhas fortalezas...

mudanças...

de carácter, de maneira de ser...

o que abomino agora pareço dominar,

o que determino a bom porto não quer chegar,

o fio da navalha mostra-se brilhante...

a sua ponta despe-me de sentido...

lembra-me um passado sofrido...


sábado, 11 de abril de 2009


sentada na areia pura e macia

contemplo o mar que me delicia...

a magia da espuma que se forma

a cada enrolar das ondas,

a brisa que com suavidade me brinda,

trazem-me à memória pensamentos de menina....

em como tudo tinha um novo sabor

em como a descoberta de cada nova cor

povoam os recantos do meu ser sonhador...

assim como as ondas vão rebentando na praia

os anos vão passando na minha existência,

e tal como começam grandes e majestosas e

se perdem na areia sem sal,

também a minha alma se vai cansando

e largando o entusiamo, ficando banal...

sentada na areia pura e macia,

penso que no fiz e deixei de fazer,

nos erros que cometi e nos que vou cometer,

no que ganhei, no que me moldei...

uma conclusão tenho na mão...

o tempo não volta atrás...




domingo, 5 de abril de 2009


linhas, porquê?porque não me respondem?

tantas vezes hoje vos preenchi,

vezes sem conta me excedi,

mais ainda vos apaguei,

tantas, tantas que já nem sei...

de poeta nada tenho nem nunca terei,

faltam-me as entrelinhas, as curvas e quiçá as duvidas,

sinto-me cansada, sem brilho como vós,

que me entorpecem os sonhos e me calam a voz....

deverei eu parar de pôr palavras em telas brancas e virgens?

manchá-las de notas sem conteudo?

tudo me parece mudo....

no meu íntimo grito que não,

mas quem manda é a minha mão....

um dia voltarei quem sabe,

em busca da minha e tua verdade,

em telhados de belos cardos,

onde eu e tu, belos gatos pardos,

se voltarão a encontrar... na escrita..no sonhar....

até lá, letras minhas, minhas permanecerão,

em cofres permanecerão, tesouros meus guardarão

até ao dia em que de mim voarão....

novamente...livremente...

até lá, vos adoro minha gente..


quinta-feira, 26 de março de 2009


bolinha de sabão, colorida e mágica

dá-me as tuas cores agora,

permite-me que perca a hora no teu oxigénio...

dá-me o teu ar, sem o teu ser não sei viver...

és o sol do meu universo, a lua em volta de mim,

faz girar a minha cabeça ,atordoa-me

de sentimentos desconhecidos,

onde um toque sabe a seda, um beijo a agridoce

uma caricia sabe a ouro,onde nos temos um ao outro...

cairei nas teias do teu veneno

no teu existir buscarei o meu sorrir

no teu sopro o meu vento, mas brilha para mim...

tentei vazar rios e mares

à tua procura bolinha de sabão,

parei rios, criei tempestades

para me iludir na tua magia...

por um segundo perdi-me no teu mundo,

como uma gatinha sem saber por onde caminha,

tudo por ti, minha bolinha...

terça-feira, 24 de março de 2009


desculpas....

servem de quê quando magoamos alguém?

mesmo quando não o desejamos? não o pedimos?

até quando magoamos sem o querer? sem o saber?

servirão para atenuar a nossa culpa?

a mesma que se mostra crua? nua?

desculpas....

elas não se pedem, evitam-se...

as ideias e frases precipitam-se,

as entrelinhas que se dizem não lidas,

as palavras que podem não se notar bebidas,

ecoam na guitarra da nossa voz...

a mesma que se revela ténue, atroz...

desculpas....

sem perdão, sem alma, sem coração,

sem uma toalha para as jogar no chão...

o chão da vida...

que nem sempre se mostra alerta...

a mesma que nos adormece, não desperta...

flor que sangra em espinhos de prata...

perde no vento a beleza da pluma,

a que se perdeu na espuma

de mais uma vez se ouvir o

eterno desculpa....

domingo, 8 de março de 2009


cansada....

a voz que não sai...

o pensamento que se vai...

a lágrima que vira mais uma página,

o apagar de mais um sorriso,

o criar de mais um sonho perdido,

mais um espelho que cai no chão,

mais um momento de solidão...

cansada...

de escrever e depois apagar,

nada faz sentido, nada me traz caminho,

de divisões e falta de soluções,

dos dias passarem e pouco marcarem,

das horas que não florescem nas rosas...

cansada...

perdida, sem brilho, sem luar...

sem local para adormecer...

sem vontade de crescer...

quinta-feira, 5 de março de 2009


sentada naquela janela,

vejo as folhas rodarem e dançarem

ao sabor do vento,

e naquele preciso momento

quando mostram a sua fragilide,

revelam-me uma verdade...

nessa mesma janela eu sinto

que tantas vezes a mim mesma minto,

tantos quadros imaginários pinto,

e vejo que as cores não existem...

olho em redor para recantos que conheço de cor,

e o que lá estava antes desapareceu...

fecho os olhos e abro de novo

mas tudo foi levado por um sopro...

aquela janela que se revelava bela

ganha contornos cinzentos...

a tristeza de pensamentos, a falta de sentimentos

tirou o brilho dourado dela...

continuo a sentar-me naquela janela,

a apoiar-me nela,

a ver a vida através dela...
ou não fosse a minha janela...




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

miau...



um cheiro a framboesa que inebria....


um sentir de pura alegria....


um azul que se perde de vista....


um misto de fantasia....


um caminhar na sinfonia....


um alargar de harmonia....


um milésimo de segundo, valioso,


dado com estima, com um tom próprio...


algo se instala, algo se inala,


larga o seu perfume e arde no lume...


vem de mansinho, com jeitinho,


como gato que se perde na noite,


que mostra o brilho do seu olhar matreiro e sabido,


a magia do seu mistério,


o seu império....


na seda do seu pelo vem o toque,


como um simples e belo acorde,


no miar o seu chamar,


na agilidade a vontade,


de ser gato pardo na noite...


um milésimo de segundo,


perdido e achado no mundo....

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



como um artista que grava na pedra,

deixaste a tua marca no tempo que passa...

marca essa que não há mais quem a faça,

como o vento que molda aquela duna,

a mesma em que fui apenas tua...

a mesma que tudo contrói e cria os seus enredos,

onde se podem enfrentar todos os medos,

maldades e verdades, assim como as nossas vontades,

receios e arrepios, fortes como os calafrios,

onde a nossa lua

foi testemunha fidedigna da nossa loucura,

bafejou-nos com a sua imensa doçura,

iluminou os nossos impetos,

abençoou o nosso momento...

como água na lua, ar no vento,

assim ficou o sentimento...

ao relento, sedento...á espera de ti....