quarta-feira, 3 de junho de 2009


Tristeza, de ti tirei mestrado...
Angustia, tratei-te por tu em tantas alturas...
Lágrimas, fieis amigas e companheiras,
Acompanharam-me em tantos cantos,tantas beiras,
Que de mim já me perdi...

Solidão,a minha sombra do passado...
Inércia, abafaste-me tantas loucuras...
Demência, criadora de imensas rasteiras,
Criaste-me ilusões de tantos feitios e maneiras...
Que de mim já me perdi...

Num abismo me deparei
Dei um passo em frente e espreitei...
Se seria a queda a saída
Para uma vida mais que sofrida...

Alguém me soprou ao ouvido palavras
que eu lhes tinha perdido o sentido,
Alguém abriu as majestosas asas
e aninhou-me no seu paraíso....

Um anjo que me mostrou que a vida mudou,
Um anjo que me deu o que agora nasceu,
Uma réstia de esperança...
Um rastilho de uma boa lembrança...
De que a vida é preciosa,
Tem espinhos sim mas cheiro de rosa,
Efémera mas presente,
E um anjo não mente...

De mim me tinha perdido,
De mim me tinha afastado,
Anjo puro e dourado
Deste-me de volta o sorriso roubado...

sábado, 30 de maio de 2009

Anjo caído...


Tristeza.... a que se instala
Riqueza... a que me falta
Impotência... a que se mostra nefasta
Solidão... a que me devasta
Trovoada... perdi a minha espada...
Extase... da noite malfadada
Zumbido... o que não faz sentido
Antevisão... de um futuro perdido...


Desilusão... a que se revela
Odôr... de uma flôr outrora bela
Raiva... a que sobre mim paira...


Lágrima... a que cai agora...
Angustia... a que serve a hora
Grito... o que estava escondido
Remorso... o de algo perdido...
Incrédula...uma voz trémula
Morta... a esperança torta
Ardor... de olhos que perderam a cor...


Romaria... de uma esquina colorida
Avaria... de uma sintonia
Investimento... perdido num momento...
Vaidade... presa numa trindade
Alegria... a sempre oferecida...


Tristeza por me faltarem as palavras,
Dor pelas perdidas cartas,
Lagrima que cai em chão morto...
Raiva que estrangula o pescoço...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Se...


Se o pensamento falasse..
Não haveriam palavras que encontrasse
Ou rábulas que contasse,
Que desvendassem tantos segredos
Ou que mostrassem tanta verdade...

Se a noite revelasse
O amor que nela nasce...
Nem a lua ou as estrelas mais brilhantes
Teriam tantos sorrisos constantes
Como que os que nela se formam...
dos que dela conta tomam...

Se o coração permitisse
O que o desejo pede...
Pegaria em cada lembrança,
Cada pedacinho de esperança,
E deixaria a flor que se apresenta
Crescer na sua cor magenta...


Se o sonho fosse real....
Ganharia as suas formas de novelo,
Desenharia as suas curvas de cristal,
Chamas nasceriam em cada fio de cabelo,
O que o torna tão macio,tão especial...

Se a doçura reinasse...
Faria perdurar cada sonho,
Destruiria qualquer pesadelo,
Deixaria que tudo ganhasse formas e cores,
Texturas suaves,laivos agridoces,
Loucura em pedra mármore...
Pincelada com vontade...
A ferro gravada na carne...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Forças da Natureza


Sou areia...
Ando de chão em chão,
Corro agrestes terrenos,
Brinco em campos amenos,
À procura do meu grão...

Sou chuva...
Tenho a força da bruma,
Pinçelo o céu,perco-me na rua,
Sou quem lava instância suja...

Sou mar...
A mim os corpos se vêem mostrar,
Sou revolta como a impureza,
Tritão guarda a minha fortaleza,
Sou quem muitos faz sonhar...

Sou lua..
Para mim olham os apaixonados,
Comigo choram os abandonados,
Na minha utopia se gera a magia,
Em mim se inspiram os afortunados...

Sou ar...
Rodopio aqui,danço ali,
Levanto tempestades,desvendo verdades,
Sou brisa que hipnotiza,
Sou calamidade,parca em maldade...

Sou natureza...
Reuno os fortes elementos,
Sou que crio os momentos,
Sou eu que revelo a nobreza...

Sou vida...
Sou quem sorri,quem sofre por ti,
Sou eu...Eu e apenas eu...

quinta-feira, 7 de maio de 2009


hoje deixaste-me sorrir...

francamente,livremente,ninguém me fez frente,

sem razão ou motivo aparente...

ontem fizeste-me chorar...

sem tréguas ou clemência,

perdi-me do meu rumo,afoguei-me,

iludi-me e encontrei-me

no teu tunel inóspito e despido de complacência...

e amanhã, o que me reservas?

as tuas partidas, quais me pregas?

conheçi o teu sabor a sal,

pincelaste-me com a tua doçura,

tiraste-me o chão, deixaste-me sem coração...

deste-me a provar a loucura,

permitiste que sonhasse, metas traçasse,

lágrimas e sorrisos formasse,

vivesse na mais pura inércia...

a ti devo cada momento vivido,

a ti devo cada pensamento perdido,

a ti devo o gosto do prazer, o do doer,

o conhecçer, o amar e o sofrer,

as desilusões e as tuas amarguras,

as tuas imperfeiçoes em vazias linhas cruas,

os beijos, os desejos, medos e receios,

as raivas, as cóleras, os desgostos,

os teus mares em vários portos,

o prazer de te sentir, de ser...

a ti agradeço tudo isso, não sei se o mereço,

a ti aplaudo e guardo seres minha...

vida...

deixa-me sentir-te horas após hora,

minuto atrás de minuto,

aproveitar tudo o que me dás e trazes,

sejam meias mentiras ou falsas verdades,

mas são o que me dão a conheçer

a beleza do teu simples viver...

és minha vida, apenas minha...


domingo, 3 de maio de 2009


vem devagarinho,
descobre o meu cantinho,
leva-me por uma noite....
mia para mim baixinho,
dá-me a provar o teu carinho,
leva-me esta noite...


faz luz no meu escuro,
salta para lá do muro,
leva-me por uma noite...
dá-me a tua lua e serei tua,
caminha pela minha rua,
esta que se mostra nua,
leva-me esta noite...


olha para mim,
toca-me como se fosse cetim,
leva-me por uma noite...
dá-me o teu olhar de marfim,
só ele me deixa assim,
leva-me esta noite....


vem meu gato preto
e revelo-te o meu segredo,
leva-me por uma noite...
com a magia de um brinquedo,
desfio o meu ser,o meu novelo,
leva-me esta noite...


dá-me as tuas sete vidas,
partilha comigo as tuas alegrias,
leva-me por uma noite...
encanta-me com as tuas magias,
mostra-me as tuas cores garridas,
leva-me esta noite...

dá-me as tuas tristezas,
levarei-as para outras naturezas,
levo-as por uma noite...
faz-me querer as tuas quimeras,
cumprirei as minhas promessas,
levo-as esta noite...

terça-feira, 28 de abril de 2009



vou fechar os olhos e viajar, sem sair do lugar...
vou pegar no meu Unicórnio
e voar sem destino, voar para longe, muito longe...
eu e ele, os dois a caminho do horizonte...
não vamos deixar rasto, apagaremos as marcas
escritas nas linhas sagradas...
sei que não me vai deixar cair,
sei que nas suas asas posso ser apenas eu, e ir...
sei que me vai fazer bem...vou poder sorrir...
vou-lhe segredar ao ouvido, vou-lhe mostrar
o espinho que trago no peito cravado,
vou-lhe confiar a minha fantasia,
ao meu ser alado...ao meu segredo lacrado....
irei passear pelas nuvens e tocar o vento,
deixar que me leve no pensamento...sem sair do lugar,
sem perder a alegria de na "vida" poder tocar...
confidenciou-me que sentirei a espuma do mar
com a minha mão...não será mais uma ilusão
como tantas outras,como as histórias ocas
que a vida me conta,as que me iludem o coração...
vou pegar no meu unicórnio e fugir,
sem culpas por não ficar, sem receios de partir,
vai-me tirar este doer,este triste sofrer,
dar os tons dourados que me conferem o brilho,
devolver o meu amado sorriso
preso na minha caixinha de Pandora,
na qual me encontro presa agora...
Unicórnio,leva-me daqui....mostra-me as artes
e mestrias que tens meu arlequim...
deixa-me acreditar em ti....
faz luz na minha escuridão...
limpa-me o coração....

terça-feira, 21 de abril de 2009


uma gota de chuva caía...
um sorriso nascia, próprio de criança,
que divertida à chuva dançava,
nada mais importava ou o momento estragava,
perdida na sua meninice, na sua lembrança...
tirava sapatos e meias para chapinhar
enquanto ouvia a chuva que molhava a sua rua...
mais uma gotinha que do céu descia...
recordava-se dos tempos em que fugia
para contemplar pura e terna magia,
onde guardava segredos em forma de história
que retirava da sua memória
e oferecia à sua utopia...
erguia a cabeça para poder sentir
aquelas gotinhas de chuva a fluir,
enchia o coração de musicas ouvidas
com o cair das pérolas perdidas,
cantava sem voz na garganta,
ria sem perder a esperança,
agradecia cada pedacinho de vida,
era ela e a chuva, que sintonia...
menina que ao seu deleite se entregava,
mais pura que a propria àgua,
descalça e encharcada,
menina que virara mulher...
a mesma que ainda num beco ou esquina qualquer
ainda contidamente se inebria,
que apesar da idade ainda à chuva dança...
ainda é a menina perdida entre
o chão molhado,refrão decorado e coração apertado,
que apesar de crescida não perdera
a magia ou o seu encanto,
deixando-se envolver pelo sublime manto,
o da chuva que cai em cada canto...
lembra os tempos ingénuos...
perdidos porém eternos...

quinta-feira, 16 de abril de 2009


fragmentos....

pensamentos que se vão revelando

sentimentos que se vão amontoando

no baú do meu ser crú...

pedaços...

de uma existência entre a escolha

do lado para onde me debruçar...

de uma carência própria de

uma história ainda por terminar...

espinhos na minha rosa de prata

encobertos por um sorriso que mata,

ditaduras diluidas em poções,

amarguras disfarçadas em corações,

duvidas criadas entre tantas divisões,

um mar de lágrimas para me afogar...

tristezas...

tantas quantas as minhas nobrezas...

mais duras que as minhas fortalezas...

mudanças...

de carácter, de maneira de ser...

o que abomino agora pareço dominar,

o que determino a bom porto não quer chegar,

o fio da navalha mostra-se brilhante...

a sua ponta despe-me de sentido...

lembra-me um passado sofrido...


sábado, 11 de abril de 2009


sentada na areia pura e macia

contemplo o mar que me delicia...

a magia da espuma que se forma

a cada enrolar das ondas,

a brisa que com suavidade me brinda,

trazem-me à memória pensamentos de menina....

em como tudo tinha um novo sabor

em como a descoberta de cada nova cor

povoam os recantos do meu ser sonhador...

assim como as ondas vão rebentando na praia

os anos vão passando na minha existência,

e tal como começam grandes e majestosas e

se perdem na areia sem sal,

também a minha alma se vai cansando

e largando o entusiamo, ficando banal...

sentada na areia pura e macia,

penso que no fiz e deixei de fazer,

nos erros que cometi e nos que vou cometer,

no que ganhei, no que me moldei...

uma conclusão tenho na mão...

o tempo não volta atrás...