
linhas, porquê?porque não me respondem?
tantas vezes hoje vos preenchi,
vezes sem conta me excedi,
mais ainda vos apaguei,
tantas, tantas que já nem sei...
de poeta nada tenho nem nunca terei,
faltam-me as entrelinhas, as curvas e quiçá as duvidas,
sinto-me cansada, sem brilho como vós,
que me entorpecem os sonhos e me calam a voz....
deverei eu parar de pôr palavras em telas brancas e virgens?
manchá-las de notas sem conteudo?
tudo me parece mudo....
no meu íntimo grito que não,
mas quem manda é a minha mão....
um dia voltarei quem sabe,
em busca da minha e tua verdade,
em telhados de belos cardos,
onde eu e tu, belos gatos pardos,
se voltarão a encontrar... na escrita..no sonhar....
até lá, letras minhas, minhas permanecerão,
em cofres permanecerão, tesouros meus guardarão
até ao dia em que de mim voarão....
novamente...livremente...
até lá, vos adoro minha gente..












