domingo, 5 de abril de 2009


linhas, porquê?porque não me respondem?

tantas vezes hoje vos preenchi,

vezes sem conta me excedi,

mais ainda vos apaguei,

tantas, tantas que já nem sei...

de poeta nada tenho nem nunca terei,

faltam-me as entrelinhas, as curvas e quiçá as duvidas,

sinto-me cansada, sem brilho como vós,

que me entorpecem os sonhos e me calam a voz....

deverei eu parar de pôr palavras em telas brancas e virgens?

manchá-las de notas sem conteudo?

tudo me parece mudo....

no meu íntimo grito que não,

mas quem manda é a minha mão....

um dia voltarei quem sabe,

em busca da minha e tua verdade,

em telhados de belos cardos,

onde eu e tu, belos gatos pardos,

se voltarão a encontrar... na escrita..no sonhar....

até lá, letras minhas, minhas permanecerão,

em cofres permanecerão, tesouros meus guardarão

até ao dia em que de mim voarão....

novamente...livremente...

até lá, vos adoro minha gente..


quinta-feira, 26 de março de 2009


bolinha de sabão, colorida e mágica

dá-me as tuas cores agora,

permite-me que perca a hora no teu oxigénio...

dá-me o teu ar, sem o teu ser não sei viver...

és o sol do meu universo, a lua em volta de mim,

faz girar a minha cabeça ,atordoa-me

de sentimentos desconhecidos,

onde um toque sabe a seda, um beijo a agridoce

uma caricia sabe a ouro,onde nos temos um ao outro...

cairei nas teias do teu veneno

no teu existir buscarei o meu sorrir

no teu sopro o meu vento, mas brilha para mim...

tentei vazar rios e mares

à tua procura bolinha de sabão,

parei rios, criei tempestades

para me iludir na tua magia...

por um segundo perdi-me no teu mundo,

como uma gatinha sem saber por onde caminha,

tudo por ti, minha bolinha...

terça-feira, 24 de março de 2009


desculpas....

servem de quê quando magoamos alguém?

mesmo quando não o desejamos? não o pedimos?

até quando magoamos sem o querer? sem o saber?

servirão para atenuar a nossa culpa?

a mesma que se mostra crua? nua?

desculpas....

elas não se pedem, evitam-se...

as ideias e frases precipitam-se,

as entrelinhas que se dizem não lidas,

as palavras que podem não se notar bebidas,

ecoam na guitarra da nossa voz...

a mesma que se revela ténue, atroz...

desculpas....

sem perdão, sem alma, sem coração,

sem uma toalha para as jogar no chão...

o chão da vida...

que nem sempre se mostra alerta...

a mesma que nos adormece, não desperta...

flor que sangra em espinhos de prata...

perde no vento a beleza da pluma,

a que se perdeu na espuma

de mais uma vez se ouvir o

eterno desculpa....

domingo, 8 de março de 2009


cansada....

a voz que não sai...

o pensamento que se vai...

a lágrima que vira mais uma página,

o apagar de mais um sorriso,

o criar de mais um sonho perdido,

mais um espelho que cai no chão,

mais um momento de solidão...

cansada...

de escrever e depois apagar,

nada faz sentido, nada me traz caminho,

de divisões e falta de soluções,

dos dias passarem e pouco marcarem,

das horas que não florescem nas rosas...

cansada...

perdida, sem brilho, sem luar...

sem local para adormecer...

sem vontade de crescer...

quinta-feira, 5 de março de 2009


sentada naquela janela,

vejo as folhas rodarem e dançarem

ao sabor do vento,

e naquele preciso momento

quando mostram a sua fragilide,

revelam-me uma verdade...

nessa mesma janela eu sinto

que tantas vezes a mim mesma minto,

tantos quadros imaginários pinto,

e vejo que as cores não existem...

olho em redor para recantos que conheço de cor,

e o que lá estava antes desapareceu...

fecho os olhos e abro de novo

mas tudo foi levado por um sopro...

aquela janela que se revelava bela

ganha contornos cinzentos...

a tristeza de pensamentos, a falta de sentimentos

tirou o brilho dourado dela...

continuo a sentar-me naquela janela,

a apoiar-me nela,

a ver a vida através dela...
ou não fosse a minha janela...




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

miau...



um cheiro a framboesa que inebria....


um sentir de pura alegria....


um azul que se perde de vista....


um misto de fantasia....


um caminhar na sinfonia....


um alargar de harmonia....


um milésimo de segundo, valioso,


dado com estima, com um tom próprio...


algo se instala, algo se inala,


larga o seu perfume e arde no lume...


vem de mansinho, com jeitinho,


como gato que se perde na noite,


que mostra o brilho do seu olhar matreiro e sabido,


a magia do seu mistério,


o seu império....


na seda do seu pelo vem o toque,


como um simples e belo acorde,


no miar o seu chamar,


na agilidade a vontade,


de ser gato pardo na noite...


um milésimo de segundo,


perdido e achado no mundo....

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



como um artista que grava na pedra,

deixaste a tua marca no tempo que passa...

marca essa que não há mais quem a faça,

como o vento que molda aquela duna,

a mesma em que fui apenas tua...

a mesma que tudo contrói e cria os seus enredos,

onde se podem enfrentar todos os medos,

maldades e verdades, assim como as nossas vontades,

receios e arrepios, fortes como os calafrios,

onde a nossa lua

foi testemunha fidedigna da nossa loucura,

bafejou-nos com a sua imensa doçura,

iluminou os nossos impetos,

abençoou o nosso momento...

como água na lua, ar no vento,

assim ficou o sentimento...

ao relento, sedento...á espera de ti....

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009



um espelho...


uma face que não se reconhece


na imagem que transporta...


na alma esconde-se uma porta


que o espelho não mostra....


o espelho reconhece o sorriso


mas não adivinha o grito contido...


uma figura própria das idades


mas que se divide em meias verdades,


tantas quantas as vontades...


um espelho...


uma realidade que não corresponde...


uma brisa vinda não sei de onde...


um conceito moldado ao meu jeito...


um espelho...


a falta de um conselho...


em nada a ele me assemelho...


mas é o meu espelho...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


o coração aperta...

as palavras falham, os sonhos amargam,

as esperanças são levadas no vento...

as memórias mostram-se um contratempo....

a voz não quer sair, não tem por onde fugir....

uma vontade de procurar

um buraquinho onde me possa aninhar...

o sorriso bem quer nascer, ele teima em aparecer,

mas não tem por onde crescer...

o coração aperta...

a música perde o seu compasso,

o pensamento perde o seu espaço,

a tristeza adquire a sua grandeza...

hoje estou assim, sinto-me assim, sou assim...

cinza espalhada por uma calçada...

pisada e invisivelmente marcada...

amanhã estarei melhor com certeza...

são fases da minha natureza...

pedaços do meu ser...

razões do meu viver...


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


palavras que não disse,

raivas que não soltei,

mágoas que acumulei...

batalhas interiores e constantes,

pensamentos futeis e frustrantes,

sentimentos que dei...

extases que não vivi, lugares que não conheci,

pessoas que amei....

um sentimento de impotência,

um acumular de nada,

um gritar de clemência...

porquê?

qual o motivo de toda esta loucura?

deste afogamento que perdura,

desta voz que dói?

um suspiro que não deixei escapar,

um olhar que se perdeu no mar,

uma pobreza de espiríto que não quer largar...

tantas palavras ditas em vão...

lágrimas que caíram no chão...